terça-feira, 12 de março de 2013

Infinitos Assimétricos



          O universo é uma harmonia de contrários. Enxergar o cosmos como uma unidade simetricamente perfeita é o mais fundamental axioma pitagórico. Tudo o que até recentemente o homem era capaz de mensurar parecia comprovar essa certeza latente. A realidade como expressão matemática era compreensível, justificável e, portanto, plenamente aceitável. Contudo, os limites micro e macroscópicos tendem a um estado caótico, ainda complexo demais para a lógica humana.
          A cada instante, o universo aumenta sua entropia. Efeitos aleatórios moldam um cosmos tão caótico que este não é capaz de retornar a um estado prévio. A informação se perde a cada choque e colisão, partículas subatômicas e galáxias se mesclam em um ambiente de constante evolução, no qual as imperfeições da onírica simetria cósmica marcam o progresso e o sentido do tempo. A lógica fundamental não se aplica, pois há variáveis demais para se controlar.
          Tal como na angústia sartriana, o homem não consegue prever o destino da realidade e tampouco ser alheio a ele. O sentimento de impotência é a constante da existência humana. Criamos ilusões que se elevam a verdades por uso, ideias quintessenciais e frutos da etérea matemática. O conhecimento humano desconhece a verdade, pois é apenas uma forma de interpretá-la. Tudo o que julgamos saber é fruto é interpretações imperfeitas de abstrações sensoriais.
          Talvez nossa busca existencial seja infundada. A crença de que existe um padrão universal que rege a tudo é, pensando bem, utópico demais. O próprio universo é desordenado e desprovido de propósito. Somos obra do mero acaso, tão ínfimos em significado quanto a realidade que nos abriga. Cada homem é um universo, tão imenso em singularidade quanto pequeno em importância. Os sentidos limitam e, logo, só existem verdades pessoais, universais para quem as detém, frutos mais da fé que da observação, e tão reais quanto a realidade que é vista, sentida e escutada; uma infinita serenidade concentrada em um ponto.

Ferreira_GMV

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Song of myself

               Existir pressupõe finalidade?

          Folhas em branco abrigam um potencial latente, mas por si só são banais. É o destino que talha a matriz para lhe conferir importância, a ação randômica do cosmos que preenche lacunas de maneiras virtualmente diferentes; espaço, tempo, vontade são grandezas independentes que se desdobram em planos distintos e que se fundem na materialização do ser. Corpo alterável, força inalienável e subjetivismo compõe a coisa.       
          O ser é um vértice dimensional. Conectivo entre matéria e Éter que se ergue na condição de organismo biológico, parte do fluxo material, parte do universo. Contudo, somos também alma, consciência, paradoxo etéreo e carnal cujo lado que de fato nos faz existir desconhecemos. Nesse labirinto atemporal, buscamos a identidade do eu e velamos constantemente teorias que não se manifestam em tinta sobre o papel.
          O que somos? O que ser? O que poder ser? Com uma mente que encontra um limite ao tentar mensurar a própria grandeza, o homem se perde. Ao mergulhar na escuridão da consciência, somos assaltados por sonhos seculares. Paz, felicidade, solidão e companhia, serenidade, equilíbrio. O que quer de fato o homem? São as perguntas que fazemos que inquietam nosso espírito, mas são as respostas que devastam o mundo. Arrogância humana achar saber de algo, tudo se prova errado com o tempo, mas gera ainda assim contentamento, e também dor.
          Existir por existir? Que mal haveria? Aceitar que os segredos se resumem neles próprios é a chave para a resposta. O que é a vida? Respondo: vida. E quem haveria de encontrar um erro? Falar por parábolas frequentemente ilude, pois esconde o óbvio. O ser é o fim dele próprio. Se engajar numa busca pelo próprio eu é a demanda de todo homem e o único caminho viável para o conhecimento da verdade e do amor.

Ferreira_GMV